A força da amizade

- Você vai ter que morar aqui!

Perdi o chão. Não acreditava que aquilo pudesse estar acontecendo comigo. Eu não gostava, definitivamente, de morar onde morava, mas de jeito nenhum queria me mudar para Goiânia.

Como eu chorei naquele dia. Aquele choro sentido, triste, desiludido. Se existisse uma cota de lágrimas, nunca mais choraria na minha vida. A cada telefonema que eu recebia, mais apunhalada pelas costas eu me sentia. Não posso viver sem elas, pensava incessantemente.

Eu tinha 13, 14 anos e minha vida se resumia a um bando de garotas. Como era divertido estar com elas, comer fandangos com paçoca na vendinha da Dona Cida depois da aula, passar as noites de sexta-feira rindo no prédio da Rê e discutir a semana inteira sobre qual seria o próximo look para a matinê do Espéria.

Morar na casa do meu pai nunca esteve nos meus planos. Ele sempre dizia: “Cris, vem morar com o pai”. Nunca quis. Só que dessa vez eu não tinha que querer. Minha mãe iria passar um tempo em Brasília com a minha tia e, até que a situação dela se estabilizasse, moraria com ele em Goiânia.

Pedi, implorei e, depois de horas trancada no quarto, consegui. Por elas, voltei para São Paulo e fui morar com a minha avó. Lá, ela me prendia, não deixava eu sair. Passei um sufoco só para não perdê-las.

Meses depois, minha mãe voltou. A vida no Distrito Federal não deu certo. Voltei a morar com ela e, aos poucos, minha vida voltou ao normal. Quer saber? Faria tudo de novo. Aos 13, o dia vale muito mais a pena ao lado daquela família que a gente pode escolher. É uma ótima (e curta) fase!



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Quando vi, pela TV, Nayara ensanguentada sendo levada para o hospital, não pude deixar de pensar nas minhas amigas inseparáveis da escola. Meus olhos marejaram. Se ela não tivesse voltado ao apartamento e, mesmo assim, Eloá tivesse morrido, a cicatriz seria maior do que a do tiro em seu rosto. Garota-coragem!

7 comentários:

Casa da Shy disse...

Eu também passei por situação semelhante, mas não foi aos 13, foi aos 23! E com certeza doeu do mesmo jeito...ainda dói! Tive que sair de BH pra trabalhar e morar no interior, por incrivel que pareça mais perto da casa dos meus pais, mas longe dos meus grandes amigos!
Ainda há dias que tenho crises...os famosos pitis!hehehe Quero voltar pra perto dos meus amigos...pra família que eu escolhi.
Que seja aos 13 ou aos 23 não tem nada melhor do que a companhia e a certeza de que vc está bem pertinho dos seus amigos.
Posso imaginar o que a Nayara está passando, porque infelizmente ela não tem mais a chance de voltar pra perto da sua amiga!

*CaRoL* disse...

Quando vi a Nayara voltando para o apartamento... achei que ela estava errada... mas depois quando aconteceu tudo pensei como vc... e se ela tivesse abandonado a amiga? Eu faria a mesma coisa.
Beijos.

Anônimo disse...

Hoje tenho 45 anos, mas nunca me esqueci da época de adolescente em que simplesmente a-ma-va meus amigos... Lembro que escrevia uma novela (tipo folhetim) para eles, uma espécie dede sátira bem esculhambada com personagens parecidos com os professores. E eles adoravam e sempre ficavam esperando o próximo capítulo.Fazíamos peças e apresentávamos para toda a escola. Nosso "bando" era formado por bicho grilos, intelectuais e por pessoas normais também. Minha mãe só faltava ter um treco! rsss...
Hoje viramos todos pessoas responsáveis (?), meio robotizados pelo sistema, mas ainda nos encontramos de vez em quando e passamos bons momentos...
Bjs da Mami

Fernanda disse...

E bota coragem nisso.

MALU, SIMPLES ASSIM disse...

Recordar é viver! Lindo post, Cris.
Bjs.

Lucy Lane disse...

Eu não sei o que seria de mim sem as minhas amigas querida... Cris, Grazi, Kiki, Clau, Glau, Fabri, Vance... Adorei a história.
Bjs
Lucy Lane

Gisele Moura disse...

Acho que o pior de tudo era mesmo morar em Goiânia. Mas eu por minha vez morro de saudades da minha vida em Brasília, e das grandes amigas e amigos que tive que deixar lá ainda bem que existe Msn e Skype para matar a saldadinha. Mas mesmo assim eu morro de saldades das comidinhas que comíamos juntas. Dos cinemas, das caminhadas e piadas. Eu acho difícil viver sem amigos. Ou com eles muito longe. Mas aqui em Viena fiz alguns amigos que quando eu voltar para o Brasil sentirei falta.