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E na hora do almoço...

Pense duas vezes na hora de ir almoçar sozinha na praça de alimentação de um shopping center:

- Você não pode segurar a mesa e comprar comida ao mesmo tempo.
Não existe coisa mais chata do que pegar o seu almoço quentinho e perceber que não há sequer um lugarzinho vazio.

- Casais que almoçam juntos não têm olhos para bandejas cheias perambulando sobre suas cabeças.
 Eles  permanecem sentados, de prato vazio (geralmente um, com dois garfos), as mãos dadas em cima da mesa e não se dão conta que existem pelo menos 5 pessoas em volta disputando quem será o primeiro a sentar – caso os pombinhos resolvam liberar o lugar, é claro.

- Você corre o risco de almoçar com um estranho – ou vários.
“Tem alguém sentado aqui?”. Quem nunca ouviu essa frase levante a mão. 3 opções: você pode arrumar uma namorado, um inimigo ou fingir que perdeu a fome depois que papai, mamãe e criança te espremeram naquela mini-mesinha de 4 lugares.

-Você pode ter uma congestão.
Se você tem mania de perseguição, vai achar que toda a praça de alimentação está reparando no que você está fazendo. Por causa disso, vai engolir a comida e sair correndo dali o mais rápido possível. Isso pode fazer mal à sua saúde...

Esqueci de algo?

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*Sim, esqueci:



Shymenne, da Casa da Shy, disse que a pior coisa de estar sozinha é levar a bandeja até a mesa. Dá uma tremedeira, um medo de deixar tudo cair...

Cris Marques se identificou com a mania de perseguição.

A Kell, minha companheira no vegetarianismo, se lembrou dos sofás da Pizza Hut, super propícios à cenas de amor.

A Gisele Moura, fiel visitante do blog, lembrou bem: existem aqueles que nem esperam a gente se levantar da mesa e praticamente sentam no colo da gente.

A Paula odeia o povo que acabou de comer e fica só no papo, enquanto ela carrega o filho e a bandeja pra cima e pra baixo.

Juliana Dacoregio (opa, visitante nova na área!) odeia o cheiro de fritura que paira no ar nesses lugares. Nós tmb!



*editado dia 26/11

Cara, cadê meu carro?

Ontem acordei cedinho, peguei meu carro e fui trabalhar. Depois de 1h20 de congestionamento, estava na editora. Como jornalista não trabalha cedo, às 8 da manhã o estacionamento estava vazio, vazio... Parei o carro em uma das primeiras vagas feliz da vida, afinal não teria que andar até onde o "Judas perdeu as botas" para buscá-lo mais tarde.

Lá pelas 5, resolvi ir embora. Peguei minha super-mega-bolsa e fui. Quando eu estava pra lá do meio do estacionamento, parei e pensei "cadê meu carro?" Olha o que a força do hábito faz com a gente! Justo hoje que iria economizar uns passinhos...

Abri a bolsa, peguei a minha chave, fiz cara de interrogação e voltei fingindo que havia esquecido alguma coisa. Como se alguém estivesse reparando em mim  - sempre acho que o mundo repara no que eu estou fazendo, tipo mania de perseguição...rs

Tá. Depois de mandar um sedex pra mim mesma, essa foi fraca...

Cara Síndrome do Pânico

Há semanas estou ensaiando o post que deveria ter saído logo após esse. Não tive vontade de falar novamente sobre isso. Sim, é uma coisa que me incomoda muito. Queria ver, também, se alguém se identificaria com o post – eu tinha certeza que sim.

A Ju Santos tem medo de passar sobre pontes; a Isolda cancela compromissos e sobe, se precisar, 15 andares de escada só pra fugir do elevador; a Luana se mantém sempre ocupada por temer seus próprios pensamentos; a Patrícia sente exatamente a mesma coisa que eu...

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10 horas de uma noite qualquer, há cerca de um ano atrás

“É tarde. Estou cansada. Saio da minha mesa já sonolenta, com a certeza de que eu fiquei mais do que deveria no trabalho.

Caminho sozinha, no frio, pelo estacionamento. Meu carro está todo embaçado. Uma breve chuva o deixou assim. Entro, abro os vidros, ligo o desembaçador e rumo para a Marginal. Não enxergo quase nada, os vidros estão acinzentados e isso me causa um certo desconforto.

Ponte, viro à direita: Marginal. O sono parece crescer. Os vidros ainda não estão cristalinos.

Pista expressa. Sempre vou à direita no limite da velocidade. Hoje não. Uma angústia me toma. Sensação de estar sonhando. Meu cérebro pressiona meu crânio e meus ouvidos. Minha garganta trava, falta ar. Suspiro uma, duas, três vezes. Pego o meu celular e ligo para o meu namorado. Ele manda eu ir para a local, parar num posto de gasolina qualquer e esperar que ele chegue. Obedeço, mas não paro. Se eu estacionar o carro agora, não saio mais daqui. Peço para ele ficar na linha enquanto dirijo e tento manter a sanidade. Respiro fundo. Será que estou ficando louca?

Assim, a 20km por hora e no celular, vou para casa. Sinto muito medo. Medo de perder completamente o controle. Vou gelada.

Já perto de casa, desligo o celular. Tudo piora agora que estou sozinha, mesmo que esse alguém esteja presente só em voz.

Chego e deito no sofá. Só agora me sinto bem e segura. Não ligo a TV e fico pensando, catatônica, no que acabara de acontecer comigo. Eu sei o que aconteceu.”

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Depois disso, desci a ladeira. Fiquei mais de um mês sem dirigir e comecei a me apavorar até de ficar sozinha na minha mesa, no trabalho. Todas as janelas me davam medo. Cerca de uns 15 dias depois do episódio do carro, procurei um psiquiatra. Fui na emergência mesmo. O segundo medicamento receitado pela médica simpática me fez muito bem.

Em um mês eu era outra pessoa. Tinha um pouco de receio de dirigir, mas estava tão feliz... Devo ter ficado uns 8 meses - sem brincadeira - sem chorar. Todos disseram que eu estava mais tranquila e parei de brigar com a minha mãe nos sábados de manhã. O único medo que persistiu foi o de altura. Engraçado.

Tomo paroxetina há um ano. Tento parar há 2 meses. Minha vida não é mais cor-de-rosa. Sinto um pouco de medo de dirigir a noite e pavor de pegar a pista expressa da Marginal. Todas as vezes que tento, pareço estar entrando num filme de terror. Sim, eu sei que isso é totalmente psicológico, mas afeta o fisiológico. Enfrentar uma situação de estresse faz com que seu corpo libere uma carga de adrenalina. No caso da Síndrome do Pânico, essa adrenalina é "disparada" sem mais nem menos e você passa a ter medo do que estava fazendo - no meu caso, dirigindo na Marginal.

Não sou mais a pessoa mais feliz do mundo. Voltei a ser brava e estressada. O pior, ansiosa. Estou na fase de tomar meio comprimido a cada 3 ou 4 dias, como muleta mesmo. Se sinto uma pressãozinha na cabeça, uma tontura ou medo de perder o controle, comprimido pro bucho.

Espero, com este post, estar ajudando a mim mesma e a mais pessoas que passam por isso. Segundo Julio Peres, psicólogo que entrevistei, falar dos seus traumas faz com que eles sejam superados.

Foto: http://entresonhos.blogspot.com/

Estou de volta pro meu aconchego

Não, não fui abduzida por extraterrestres. Não, também não morri e essa mensagem não é psicografada. Ops, também não, não tive um ataque súbito de amnésia e esqueci quem sou, onde estou ou para onde vou (embora quase tenha esquecido login e senha para acessar esse humilde bloguinho... hehe).

Continuo sendo a Gra, pobre mas esforçada (e cada vez mais, a mercê de uns e outros....). Tenho tanta coisa para falar. Boas, nem tão boas, complexas, nem tão complexas....

Mas o mais legal é que volto para meu aconchego, parafraseando Elba Ramalho, em um momento complicado da vida: fui abandona. Sim, largada às traças, ao deus dará. E sabe por quem? Pela minha psicóloga. Sinto que nem uma profissional aguentou meus momentos de loucura. Vou contar para vocÊs

Um lindo sábado de sol, pego o possante em direção à terapia. Trânsito bom na Paulista, mais tranqüilo ainda na Vila Mariana. Lugar fácil para estacionar. Tudo muito estranho. Mas ainda acredito em bons dias de sorte. Ledo engano. Entro na terapia

- Bom dia, Graziela!

- Bom dia!

Momento de se sentar. A cadeira não é lá tão confortável assim, mas já estou acostumada. Passarinhos piam lá fora. Penso: “realmente o dia vai ser bom”. Quero começar a falar, mas ela é mais rápida.

- Então, Graziela. Está complicado manter o consultório aqui em São Paulo só de sexta e sábado e ficar no interior durante a semana (ela se mudou para trabalhar fora). Vou ter que fechar...

Depois disso, não escutei mais nada. Só pensava: e agora? E agora, quem poderá me defender? Como não sentar nessa cadeira tão legal (não era ruim até minutos atrás???), olhar para minha querida amiga (ué, mudamos a relação??) e falar de tudo. Chorar, sorrir... Um aperto, daqueles que eu tinha a cada ano quando mudava de sala na escola, foi dando no peito. Mas não, eu era forte e não iria chorar por causa disso, né? Imagina.... Quando ela tentou voltar ao objetivo da sessão – falar de mim -, meu olho foi se enchendo de lágrima e ...

- Graziela, você quer chorar?

Buáááááááááááááááá.

- É que eu me apego demais nas pessoas, sabe?

Sabe? Não, acho que nem ela nem eu sabíamos disso. Não queria mais falar de nada durante toda a sessão, só ficava pensando que não teria mais sessão, então para que falar? Fui embora triste, arrasada, dispersa... Acreditam? Agora a nova missão é arranjar uma nova. Acho que sem psicológa, depois de eu ter chorado porque minha sessão acabaria, não dá pra ficar, né?

O que é, o que é...


Qual é o cúmulo do estresse+cabeça de vento?
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Enviar um sedex pra você mesma.

ps: não faz mal não. Eu reembalei a caixa com uma folha sulfite e mandei pro Rio de Janeiro.

Em crise

Meu corpo salta. Instantaneamente, o coração dispara. Falta ar. Respiro fundo. Pensamentos ruins passam pela minha cabeça. Nessas horas, odeio estar sozinha. Me sinto mal, enjoada. Minha mente confusa não consegue distinguir a realidade da ilusão. Qualquer pensamento negativo pode se tornar realidade em questão de segundos. Meu corpo flutua, semi-apago, semi-vago, semi-vivo. Quero proteção, não posso ficar sozinha agora. Suspiro. Conto meus batimentos cardiacos enquanto tento me manter sã e acordada. Quero dormir, fechar os olhos. Nessas horas, odeio cinco vezes mais estar em lugares altos ou dirigindo sobre pontes e viadutos. Prefiro lugares pequenos e fechados, preciso me sentir segura. Suspiro. Suspiro. Suspiro. Passou.

Ok. Muita gente vai ler e pensar: "tadinha, a Cris enlouqueceu. Pirou na batatinha!". Outras, poucas espero, irão se identificar.

Farei um teste aqui, agora. A que o texto acima refere-se? Você já sentiu isso?

Daqui uma semana eu conto.

Ser ou não ser

Sabe quando você se sente super cansada, sem forças para levantar da cama todo os dias? Sua vontade era que nada mais fosse importante, que você não precisasse vir trabalhar todos os dias, que não precisasse arrumar a casa, nem pagar as contas e muito menos se estressar. Pois é, estou assim ultimamente

Quem leu o quarto volume de Harry Potter, em que os dementadores sugavam a energia dos pobres bruxinhos de Hogwarts, vai entender completamente como estou me sentindo. Parece que minhas forças estão sendo sugadas e sugadas. Como disse a querida Cris, abaixo (ei Cris, como estão as coisas em Cancun... ai que delícia!!!!), meus cinqüenta dias de férias estão, sim, me fazendo falta.

E acho que novas diretrizes também. Você já se sentiu assim? Rodando, rodando e rodando sobre o mesmo lugar. Pareço cachorro correndo atrás do rabo. Nunca consigo chegar nele, e nem sair desse círculo vicioso. Tema de muitas sessões da terapia, o meu correr atrás do rabo tem me deixando angustiada, sabe? Preciso de algumas mudanças, saber o que realmente quero ser quando crescer, entende? Será que quero ser o que estou tentando ser? Enfim...

Calma, antes de acharem que sou um poço de reclamações, aviso: é uma fase, vai passar (se não passar, eu que passo por ela....). Outro aviso importantíssimo: nunca comece terapia. Se começar, você também vai ficar assim, tenha certeza! São os efeitos colaterais....

Lição 1: aprenda a irritar ao telefone

Ser uma pessoa irritante é fácil, fácil. Você pode irritar seus vizinhos ao ligar o rádio bem cedinho no domingo - dê preferência a um som bem "light", tipo Crééééu -, eles vão adorar. Pode, também, irritar o seu colega de trabalho optando por um toque de celular bem alto e estridente - mas não esqueça de largá-lo na mesa sempre, assim seus companheiros podem apreciar a música uma, duas, dez vezes seguidas. Mas vamos a lição de hoje.

Quando quiser irritar alguém pelo telefone, siga os passos:

  1. Disque um número de telefone desconhecido ou de alguém pouco conhecido
  2. Quando a pessoa atender, diga "Queeeeem?"
  3. Perceba o tom da voz do ouvinte... Provavelmente ele te devolverá um "Quem o quê?"
PARABÉNS!!! Você conseguiu irritar uma pessoa. Mas lembre-se: não torne isso um hábito, senão quem pode acabar irritado é você.

Momento anti-stress

Nos últimos dias o nível de stress está batendo recordes na minha rotina. E os motivos são vários, nem vale a pena começar aqui. Então, entre um congestionamento e outro, entre um bug de internet e outro, entre uma noite de insônia, fiquei pensando em coisas que poderiam tirar o meu stress com a maior facilidade. Aqui vai uma pequena listinha:

- Um saco de boxe portátil: você infla ele onde quiser e pode socar o pobrezinho até sua raiva contida passar você não precisar bater em ninguém de verdade;

- Um dia num day spa, tipo uma terça-feira que é um dia bem madame. E depois uma semana nim spa de campo, uma fazenda, pra tentar uma integração com a natureza que seja maior do que ser apenas picadas por mosquitos;

- Um dia inteiro com a trilha sonora da sua vida tocando bem baixinho;

- Deixar a civilidade de lado e responder o que as pessoas merecem ouvir;

- Usar uma máquina de teletransporte para chegar aos lugares e escapar do trânsito;

- Receber massagens/paparicos do namorado, marido, colega, ficante, amigo, peguete...

- Passar a tarde no shopping comprando roupa;

- Por fim, viajar bastante... essa bem preciso dizer né. Se você for viajar, me convida vai!?


PS - São quase duas da manhã e eu estou postando agora. Vocês não acham que as outras duas esfoçadas deveriam ser banidas do site, já que não estão se esforçando para atualizar esse nosso containho??? Fala sério hein!

Somos todos loucos (?)

Era começo de noite na periferia de São Paulo. Seis jovens, com idade média de 24 anos, conversavam animadamente entre cafés, pães de queijo e doritos. Nem parecia uma quinta-feira nublada e estressante de trabalho. Quem os via de fora, jurava que eram grandes amigos, tamanha era a empolgação. No mix juvenil, metade era jornalista, metade designers.

Entre risos e engasgos, surgiu um assunto um tanto inusitado para aquela situação de extrema descontração: “Fulana, você trocou de remédio e está mal humorada”, disse uma jornalista à outra. “Falou a normal da cabeça que faz terapia e toma remédio para depressão”, retrucou imediatamente. “A psiquiatra trocou minha paroxetina por fluoxetina e deu nisso”. “Fluoxetina é ótimo”, cortou logo uma das designers.

Até ali, três das seis pessoas já tinham dado pelo menos uma passadinha rapida no psiquiatra.

“E você, já foi ao psiquiatra?, perguntou a repórter ao único designer homem sentado a mesa. “Claro”, disse ele. “Ano passado tirei até licença de dois meses para me tratar. Cheguei a passar uma semana no quarto sem ver ninguém”.

A última designer também já tinha se rendido aos desprazeres da vida. “Minha psicóloga me disse: ‘Se você não melhorar até a semana que vem, te encaminho para o psiquiatra’”. Ela melhorou rapidinho.

Vamos às contas: três mais dois é igual a cinco. Para seis, falta “uma”. E lá estava ela, calada e contida. Quase como um desabafo, a última jornalista disse: “Eu nunca fui ao psiquiatra ou ao terapeuta”. “Ainda”, pensaram todos.

Afinal, quem é mais louco? A maioria - que está dentro da gorda estatística de pessoas que sofrem de depressão, síndrome do pânico e estresse crônico -, ou apenas aquela solitária jornalista - que nunca teve um acesso de medo deste mundo capitalista e violento.

E a conversa continuou mais animada ainda...