Você é uma mulher machista. Quer apostar?

Estava aqui eu lendo esse lindo blog de meu Deus quando reparo no post de minha amiga Cris a palavra "biscatona". Engasguei. Como assim: a mulher estava de vestido no frio = biscatona? Isso não causou estranhamento a você? Pois a mim sim.

Não estou criticando a minha querida colega de blog. Nem de perto! Quero chamar a atenção para outro fato. Como assim concordamos que uma mulher com pouca roupa é biscatona, vagaba, promíscua, não presta? Por quê toda vez que vamos criticar A OUTRA atiramos a primeira pedra em sua honradez, em sua postura sexual, e não em seu caráter, por exemplo?

Eu nunca ouvi falar "ah, mas aquele cara é um vagabundo, um biscatão, olha como ele está vestido?". Mas quantas vezes eu mesma já pensei (e falei): "Humm, com essa sainha curta, minha filha, você não deve prestar". Nós somos as primeiras a atirar julgar o comportamento pelo viés sexual, esquecendo que ao fazer isso damos o direito - na mesma moeda - de retruibuirem o preconceito machista com a gente.

O fato é: apesar de sermos mulheres, somos MUITO machistas. Com esse comportamento abrimos espaço para qualquer cara olhar pra gente na rua com aquele "olhar babento" e soltar um "Gostosa!". Só que somos nós mesmas as primeiras a reproduzir esse pensamento cretino que nos cerca. Em caso extremo, é quase como dizer que mulher que anda de roupa curta merece ser desrespeitada, xingada - "claro, ela provocou... ", outros vão dizer.

É difícil deixar de ser machista, sabia. Fomos criadas pra ficar resguardando uma pureza, para ficar fingindo sermos assexuadas, comportadas, verdadeiras "damas" (seja lá o que isso significa). Na minha casa, por exemplo, tenho dois irmãos que namoram. Quando eles dormem na casa de suas respectivas "conjujas", ok, tranquilo, afinal eles são homens. Agora vai a gata aqui fazer a mesma coisa? Restam duas alternativas: mentir ou ouvir bobagem. Como mentir é coisa de adolescente, ando escutando frases como "Você vai matar seu pai de desgosto..." ou ainda "Depois que ele te usar, quero ver o que você vai fazer...". A última foi uma semi-praga: "Você vai colher o que está plantando...". E sabe quem pronuncia tais pérolas? Minha mãe. Mulher, como eu e como você.

Claro, dou o devido desconto, apesar de meus cabelos pós-feministas se arrepiarem com vontade de gritar: "Em que século nós estamos mesmo?". Ela foi criada em outra geração, não havia pílula, camisinha, parceiros múltiplos e, o melhor, CULTURA capaz de ser livremente acessada por qualquer uma de nós. Dói, mas deixo para lá.

Por isso levanto aqui a bandeira: vamos deixar de machismo! Vamos nos policiar, sim, contra essas pequenices vindas da educação que deprecia a mulher em detrimento do homem. Não quero queimar sutiã aqui, porque, aliás, eu adoro um bem bonito! Só que rotular a outra quando ela passa de microsaia na nossa frente é dizer: "ok, eu aceito ser reduzida a um pedaço de carne". É deixar a porta aberta para o desrespeito bater na nossa cara.

Nós, mulheres modernas, com acesso à informação e ao mundo temos a obrigação de enterrar aqui esse machismo latino hipócrita. Acabar com ele na nossa geração. Quer dizer que eu posso transar com a minha namorada, mas com a minha irmã ninguém pode? Com a mulher do outro, tudo bem, assobio mesmo, mas a minha "mulé" eu tranco em casa?

P-e-l-o-a-m-o-r-d-e-d-e-u-s!

Assuma que você é um ser sexual e que, de vez em quando, vai querer sim sair com as pernocas de fora sem que isso signifique uma falha de caráter. Está mais do que ultrapassado fazer papel de "santinha do pau oco" para nós, herdeiras de "Sex and the City" e de Samantha. Aliás, quer mundo mais libertador do que o de uma mulher de 50 anos de idade com a vida sexual no ápice e que dá o fora no namorado gatão porque se preocupa mais com ela do que com um "final feliz" qualquer? Te liberta, meu amor.

Este post é para pensar.

9 comentários:

MALU, SIMPLES ASSIM disse...

Adorei o post! É a mais pura verdade, infelizmente. Eu também vivo julgando as outras mulheres pela altura da bainha, hehehe. E isso me faz lembrar uma frase da Naomi Wolf, no livro THE BEAUTY MYTH, que me marcou muito:
"The toughest but most necessary change will come not from men or from the media, but from women, in the way we see and behave toward other women"
Beijos.

marcia disse...

A-d-o-r-e-i!!Eu tb faço comentários escr@t*s desse tipo.E depois me vejo brigando com meu namorado quando ele tem opiniões machistas.Sem querer nós mulheres acabamos assinando embaixo nas atitudes deles.

instantes e momentos disse...

Vim passeando por diversos blogs e parei aqui.
Muito bom.
Faz parte de uma parte do ser humano, ser assim.
Muito bom teu blog, não é nem para pensar ,é para ter certeza, a coisa flui desse modo...!
Maurizio

Denise do Egito disse...

Acho que as mulheres são mesmo muito competitivas. Devíamos aprender com os homens. Eles são cúmplices e bem mais unidos.
Um abração e parabéns pelo blog

Barbara Góes disse...

sou machista... =o
kkkkkkkkkkkkkkkkkk

mas o melhor do post foi: " Te liberta, meu amor..."

Acho que a gnt deve se libertar, sim de algumas coisas...

^^

Alexandre disse...

Ficou muito bacana o novo layout do blog. E os textos tb estão ótimos. parabéns.
Gostaria de saber tb como vcs colocam esta lista "Vieram daqui..." aí do lado.
Beijos

Ana Barros disse...

isto é muito verdade. Tenho pensado bastante neste post há dias.
A partir de agora, qdo for falar mal de alguma mulher, vou pensar em adjetivos que usaria para um homem - assim, tipo bruaco (rsrsrs)

Lucy Lane disse...

Malu, gostei da sua frase. Esse tipo de coisa tá tão arraigado na nossa maneira de pensar que nem enxergamos quando estamos sendo machistinhas. Agora bruaco É ÓTEMO! Vou usar também, viu Ana.

Bjos
Lu

Anônimo disse...

Gostei muito do post, só não concordo com uma coisa... Vc falou que mulher de roupa curta é rotulada de vagabunda e "Em caso extremo, é quase como dizer que mulher que anda de roupa curta merece ser desrespeitada, xingada". Ou seja, se ela for mesmo uma vaca/vagabunda/sem-vergonha pode ser desrespeitada?
Krys