Liberdade, igualdade, fraternidade...

Hoje recebi um email de um amigo-colorido meu, muito querido, que é francês. Nos conhecemos de uma maneira bizarra que nem vale contar aqui, já marcamos de nos encontrar duas vezes (eu tenho passagem e pacote COMPRADOS, veja bem, comprados - para ir a Paris), mas ainda não deu certo. Enquanto a gente conversava via internet, descobri que o modo de vida dos outros pode (ainda bem) ser bem diferente do meu, que é workaholic (mantra para mudar isso em 2008).

Enfim. Lu, o meu amigo, decidiu largar tudo que tinha na vida, na França, e viajar para a Índia. O que ele queria: meditar, por um longo tempo. Para nós, que vivemos nesse caos cinza, cheios de laços que nos prendem, cerceiam nossa liberdade, fazem com que criemos uma rotina indesejada, isso parece loucura de quem não tem nada melhor para fazer. Mas e o dinheiro para se manter?, diria um. E como ele vive por lá?, diria outro. Não sei... não tenho a menor idéia.

Confesso que quando ele me contou achei a idéia meio desparatada. Onde já se viu ir para a Índia sem nem ter um lugar certo para ficar? Mas o segredo de quem se aventura é um só: não ter medo. Lu, meu amigo, está entre as três pessoas mais destemidas que conheço (junto com a Claudia, querida amiga viajante e meu primo, que ficou seis anos morando com índios ianomamis na Amazônia). Eles parecem bizarros para você? Pois então vou te dizer: eles são é LIVRES.

Coisa que eu não sou, infelizmente. Sei que isso é uma coisa que vem de dentro, bla, bla, bla, que a gente pode tudo, que é uma questão de querer, etc, etc. Mas como??? Como vou mudar a programação que fizeram em mim todos esses anos? Simplesmente dando as costas e indo embora, deixando tudo para trás?

Eu ainda não sei. O que tenho certeza é de que essas pessoas são LIVRES de verdade. E é isso que vale na vida. Receber o email do meu amigo hoje foi a melhor coisa do dia inteiro. Fiquei muito feliz por ele... e por sua atitude me lembrar de como eu estava sonhando com campos verdes da Irlanda, grandes jardins de Paris, prédios históricos de Roma, praias da Espanha... por me fazer lembrar de que eu tinha tudo construído dentro da minha cabeça antes de me sentir presa em um momento que parece não ter fim.

Uma jujuba para quem me der uma passagem aérea ilimitada pelo mundo...

PS - Pausa para o comentário "caminhoneiro": o amigo está supergatinho!

4 comentários:

Cris disse...

Lborges, Lborges...
Você é gente como a gente!
Se fossemos presas a coisas materiais, tudo bem; mas somos presas ao trabalho. Muito triste a nossa vida.
Só de pensar que vc tem um pacote com prado para viajar pela Europa... chega a dar raiva.
Será que eu vou precisar te dopar e te colocar no avião??
Posso falar? (minha frase clichê)
DEMOROU!
Nem na lanchonete temos ido, ultimamente...
Isso é de matar qualquer um de tristeza...
bjos e suspiros tristes

Cris disse...

Só pra não falar que eu sou analfa, é comprado... kkkkkkkk

Luzinha Franzoi Sebben disse...

comentário "caminhoneiro" é ótimo! uma coisa, tipo assim, "bem sula miranda", né? miga, tou nessa também. eu passei um ano inteirinho enchendo a paciência das pessoas, dizendo que eu queria me mudar prum condomínio de chácaras e viver no que eu chamo de "fazendinha". pois durou até a "página 10". quando eu fui conhecer o lugar e me dei conta que ficava "outer space", pirei na batatinha e voltei correndo prá cidade. não adianta, a gente é como é. mas somos felizes também, porque tem os amigos como esse que "são como são" e podem nos fazer "viajar na maionese" deles... bjus!

Lucy Lane disse...

Ferradura, amiga, a gente precisa se desprender e se jogar nessa vida, isso sim. Que lanchonete que nada! Vamos pra Europa!! Que Chile que nada, vamos fazer um grupo de mulheres e cair na estrada. Tipo "Sula Miranda", como disse a nossa amiga Luluzinha. Combinamos tudo amanhã, na lanchonete, falou?