Mostrando postagens com marcador Diálogos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Diálogos. Mostrar todas as postagens

Pessoa inconveniente

Segunda-feira, 11h

- Bom dia Cris.
- Bom dia.
- Nossa, você dormiu essa noite?
- Dormi, pq?
- Você está com uma olheira...

Todos a sua volta param de trabalhar e, como num filme de zumbi, se voltam a você para conferir com um olhar "mais crítico" a olheira hereditária que você suou pra tapar de manhã.

Terça-feira, 11h30

- Bom dia Cris.
- Bom dia.
- O seu sobrenome devia ter dois acentos, sabia?
- Ahn...
- É. Devia ser Sísisisísi¹.
- Ah.

Todos olham para ele, para mim e para o computador. No mínimo pensando: "afe, como ela aguenta...".
¹Não vou colocar o meu sobrenome aqui. Ele é motivo de piadinha desde que eu me entendo por gente.

Quarta-feira, 12h

- Bom dia Cris.
- Bom dia.
- Olha, essa noite você dormiu. Quase não tem olheiras...
- Tá - digo eu com um sorriso amarelo e fazendo um jóinha com a mão.
- Eu acho que ela não está mais gostando da brincadeira - diz uma das pessoas que dividem a baia comigo.

Não é meu amigo, não é meu namorado, não é meu parente... O que a gente faz com uma pessoa dessas, me fala? Sugestões, por favor!

Em busca do churros perdido


Sabe aquela informação boca a boca que passa e chega para a gente com jeito de promoção imperdível? Foi assim que fiquei sabendo de um tal churros na Mooca. Sim, churros. Estava no meio de um bar ouvindo jazz quando me chega informação de que, dali duas horas iria entrar no carro rumo a aventura espetacular de procurar um tal fornecedor de churros – que, detalhe, só abre de madrugada – no meio da Mooca.

Entramos no Corsinha prata para desbravar mares nunca dante navegados. Eis que chegamos na tal rua Ana Néri, no meio do nada. Um breu assustador naquela rua enorme, erma e escura. Não parecia, nem de longe, um lugar disputadíssimo de churros. Só podia ser no final da rua, pensamos todos. E lá vai o Corsinha deslizando até o final da rua. Claro que não encontramos nem sinal de barraquinha de cachorro-quente, quanto mais de churros. Mas desistir, jamais. Damos a volta no quarteirão e voltamos. Podíamos ter perdido algum detalhe daquela rua na emoção de encontrar a tão famosa guloseima espanhola.

Que nada! No máximo encontramos um “mano” parado em um portão de ferro. Será que ele seria nossa tábua de salvação? Quem sabe...

- Oi amigo, tudo bem? Será que você poderia nos dar uma informação? – pergunta meu respectivo, ansiosamente. Nesse momento, eu e meus dois queridos amigos não temos coragem de virar o rosto para olhar o camarada de fora do carro. Ficamos olhando a paisagem do outro lado da rua.
- Falow.
- Então, ouvimos falar de um tal churros aqui na rua. Você sabe se ele fica por aqui?
- Olha, cara. Se ele existe, fica do outro lado da Avenida. Mas cê vai ter que fazer o retorno.
- O retorno lá no Centro?
- É, mano.
- Ah, então tá. Mas então o churros não é lenda, né? Ele existe, do outro lado
- Não é lenda, mano. Tá lá do outro lado.

Nesse momento, todos felizes e sorridentes, cantando música do Chaves e oferecendo “um churros, por favor?”, vão em direção à PQP em busca do tal doce. Com certeza, o mano ficou rindo da nossa cara. Os otários em busca do tal curros. A Ana Néri do outro lado era maior ainda, e mais escura, e mais amedrontadora, e mais, mais e mais. Claro que não achamos nada por lá também.
A saída, plenas 4 horas da matina? Foi ir a uma padaria qualquer, comer um croissant (e não o delicioso churros prometido). O pior foi que o croissant estava frio e o chocolate quente, geladíssimo... Mas a busca ao churros continua, e o pior: ele existe. Já saiu até matéria dele. Quando o encontrar, conto pra vocês.

King-kong - Um dia eu ainda apanho na rua

Você já pagou um mico por comentar algo que não devia – e pior, na hora errada? Eu s-e-m-p-r-e faço isso. Começarei com este post a série “King-kong - Um dia eu ainda apanho na rua”.

Biscatando no shopscenti

Tenho uma péssima mania: quando vou ao shopping fico reparando no look das sirigaitas. Lá a gente vê de tudo: tem as que acham que estão num casamento e abusam de saltos-agulha e brilhos; outras que não podem ver um solzinho no horizonte que tiram a mini-micro-nada-saia do guarda-roupa e mostram até a poupa do popô. Enfim...

Há um tempo atrás, estava dando umas voltas com meu namorado no mall pertinho de casa. Era um dia frio, daqueles que despenteiam os cabelos de tanto vento.

Eis que me deparo com um casal. Ele, de calça jeans e blusa de frio. Ela, com um minivestido de verão esvoaçante, balonê, com mangas molengas e ainda superestampado Bom, eu que eu sei é que se a People fizesse uma lista com todas as pessoas mais deselegantes do mundo todo, ela estaria no topo.

Um comichão tomou conta do meu corpo e eu não me contive:

- Nossa, Xu, olha a roupa da biscatona nesse frio.

Eu nem tinha acabado de pronunciar “frio” quando o comichão deu lugar a um gelo na espinha. Meu namorado diz que não, mas eu juro que falei baixinho. O namorido da moça virou pra trás e deu aquela olhada pra gente. Só deu tempo de eu dar um cutucão no meu parceiro de aventuras e virar à direita, para dentro do McDonald´s.

Passei o resto daquela tarde com vergonha de dar de cara com o casal 20 e jurei que nunca mais chamaria ninguém de “biscatona” – nem se ela tiver praticamente nua andando no shopping no inverno.

Em busca da armação perfeita

Depois de sofrer semanas com uma dor de cabeça interminável, resolvi ir ao oftalmologista. Eis que a garota de visão perfeita usará óculos. Não, não usarei o tempo todo, mas pelo menos enquanto estiver forçando a vista, isto é, nas 10 horas diárias em que passo na frente do computador.

Mesmo com a vista dilatada, dei uma passadinha na ótica do shopping para ver alguns modelos de armações. Ó-b-v-i-o que sempre gosto dos mais caros. Mas para não fazer a besteira de comprar uma armação cara meio cegueta, preferi dar uma olhadinha na 25 de março.

Convoquei minha mãe para a missão e, às 7 da manhã, demos um pulo da casa. Nos vestimos adequadamente para evitar qualquer tipo de estresse com trombadinhas e afins (tipo tênis, pochete e capa de chuva) e saimos de casa. Depois de experimentar 457 modelos de armações fakes - pq o importante não é imitar o modelo, mas copiar a marca - cheguei a conclusão de que não acharia, ali, o meu parceiro de intermináveis tardes.

Em uma das lojinhas que entrei, ouvi o o diálogo mais hilário-absurdo do dia:

- Você tem armação da Ana Hickmann?
- Não, me desculpe. Aqui a gente só trabalha com Cartier, Dior, Dolce & Gabbana, Guess...

Pois é, minha gente. Tá achando que Shop 25 é pouca porcaria? Não queria dizer, mas na verdade eu é que não tenho "cacife" pra bancar um "Dior" made in China. E olha que a China está suuuper in! Acho melhor parcelar um sem-marca numa ótica mesmo...

Sobre um simples ato

Caros colegas, darei um humilde conselho – leia as entrelinhas. Atente-se a ele, senão poderá ser difamado.

Cena 1:

Levanto da cadeira e rumo ao banheiro, apertadíssima. Abro a porta e entro em uma das quatro portinhas. Faço o meu xixizinho – não vou entrar em detalhes, ok? – e saio do cubículo. Abro a torneira, molho as mãos, aperto a maquininha do sabonete, esfrego uma mão na outra e enxáguo.

Solto o cabelo. Prendo o cabelo. Solto o cabelo. Faço uma trança.

Cena 2 – enquanto solto, prendo, solto, tranço o cabelo:

Ela entra na portinha do banheiro, faz o xixi dela e sai duas vezes – do cubículo e do banheiro.

Cena 3:

Saio do banheiro e não vou para a minha mesa. Tenho coisa melhor pra fazer.

- Fulanaaaaaa, você não vai acreditar?
- Ai, conta logo.
- Sabe a cicrana? Aquela que trabalha em tal redação?
- Sei...
- Nuossa. Ela faz xixi e não lava a mão.
- Yéééécouuuuuuuuuuu.
- Nossa... muito nojento. E não tem nem vergonha. Viu que eu estava lá e mesmo assim não passou nem uma água pra disfarçar.
- Creeeedo!

Penteado "craquelê"

Te desafio, agora: me moste uma só mulher que não fique enlouquecida com uma liquidação, que eu danço “Segura o tchan” em cima da minha mesa de trabalho. Eu sou aquela do tipo que compra já sabendo que vai se arrepender depois – mas isso não vem ao caso.

Um dia desses fui ao shopping trocar duas calças – que já estavam morando dentro do meu carro. Escolhi 457 peças e fui para o provador. Eis que escuto a seguinte conversa (em vermelho, minhas observações):

- Ai, querida, ficou lindo! – disse o vendedor (-gay com voz de gralha).

- Ah, nossa, ficou mesmo – respondeu a moçoila.

- Olha, eu acho que você deveria levar os dois, viu! Imagina que essa peça custava R$457 e agora está R$170. (Vendedor que é vendedor só elogia pra ganhar a cliente. Depois, tenta empurrar todas as peças que a pessoa levou ao provador)

- Só se você fizer um descontinho?

- Hum, deixa eu ver... Já sei: parcelo em 4 vezes pra você. (Grande coisa. O desespero das lojas é tanto que, ultimamente, se você levar uma calcinha de R$ 10, eles parcelam em 4 de R$2,50 – e sem juros)

...

- Olha, já te falaram que o seu cabelo é um arraso? Essa cor combina demais com o seu tom de pele. ($$)

- Ah, obrigada. Mas é chapinha, você sabe, né?

- Nossa, mas é muito bonito mesmo. Não é liso (ignorando o fato da moça já ter dito que era chapinha), não é enrolado, é meio “craquelê”... (?)

Se eu não estivesse semi-nua naquele cubículo empoeirado, colocaria a cabeça pra fora só pra descobrir o que é um cabelo “craquelê”. Logo imaginei a pobre moça com cabeça de artesanato. Alguém descobre, pelamordedeus?

Simplesmente acorde!

Existem maneiras e maneiras de ser acordada pelo telefone num domingo. Uma delas é acordar ao som delicioso da voz do seu amorzinho; outra é esta, abaixo, vivida por nosso querido amigo que trabalhou de casa no finde:

10 horas da madrugada de domingo

TRIM, TRIM, TRIM

- Alow – disse Danilo, com aquela voz-sonâmbula de quem acabou de ser acordado.

- É a Fulana de Tal. Te acordei? - disse a pessoa do outro lado da linha.

- Ahãn– pq gente que acordou agora não fala, resmunga.

- Pois bem. Liguei agora pois acho que 10 horas já é um horário razoável para se estar acordado num domingo...

Ok! Ok, ok, ok. A gente trabalha de fim de semana, faz plantão na boa. Mas ouvir isso logo cedo de uma pessoa que acha que é seu chefe, ninguém merece...

Disk palhaça

- Online.
- Por gentileza, a senhora Cristiane.
- É ela.
- Boa tarde senhora Cristiane. Primeiramente gostaria de dizer que a ligação está sendo gravada.
- Tá!
- Gostaria se avisar a senhora, senhora Cristiane, que a senhora tem 697 pontos no seu cartão de crédito XPTO, e que pode trocar por prêmios. Mas na verdade, senhora Cristiane, você poderia trocar esses pontos até o dia 5 de abril. Como a senhora não entrou em contato com a gente, estou te ligando para que esses pontos sejam trocados somente até o dia de hoje.
- Não estou sabendo dessa promoção.
- O folheto explicativo chegou com a sua última fatura.
- Mas eu não vi.
- Vou explicar, senhora Cristiane, como funciona. A senhora acumulou os pontos pq usou o cartão para fazer comprar dutante "tal" período. Agora, a senhora pode escolher uma assinatura de dois anos mais quatro meses da revista A, B, C. D, E, F, G, H... Qual delas você gostaria de receber na sua casa sem nenhum custo, pagando apenas o valor do frete?
- A D.
- Este é a único título que a senhora receberá apenas por 12 meses mais 4 de cortesia. Estou calculando o frete...
- ...
- O frete, senhora, é de R$16. A senhora pagará este valor apenas pelos primeiros 8 meses.
-:-? Não estou interessada no meu "prêmio", obrigada.
- Mas pq, senhora Cristiane.
- Pq não tenho dinheiro para o "frete".

Oito vezes dezesseis é igual a cento e vinte e oito.
Cada edição da revista D custa uns R$ 10.
Dez vezes dezesseis é igual a cento e sessenta.
Cento e sessenta menos cento e vinte e oito é igual a trinta e dois.

Resumindo: ganhei a assinatura de uma revista no qual deveria pagar R$128, de frete, para recebê-la durante 16 meses. A diferença, se eu comprasse a revista na banca, é de R$32 reais. Bom, com o troco eu deveria comprar uma peruca e um nariz de palhaço!