
Paqueras podem constranger? Eu achava que não. Agora acho que sim.
Muitas tentativas depois (tipo umas 20), entrei na academia pensando positivamente em não desistir desta vez do plano
"abaixo à mulher-gelatina". As primeiras semanas foram complicadas, porque o sedentarismo, minha gente, quando pega, demora para ir embora. Mas além de ficar fazendo força e suando em público, uma das coisas que sempre me incomodou nessa questão de frequentar a academia é a relação que a gente é obrigado a ter com o instrutor.
Não sei quanto a você, mas eu nunca gostei muito desse contato treinador-aluno. Porque fica aquela pessoa encostandinho em você bem no momento em que se está fazendo careta de dor ou numa posição bizarra. Tem gente que gosta, é verdade. Mas eu sou do grupo
"ranzinzas de academia".
Anyway, esquecendo minhas esquisitices jornalísticas-nerds um pouco, lá estava eu indo todo dia diretinho no horário da manhã - junto com os vovôzinhos e vovózinhas, adolescentes e pessoas tão sedentárias quanto eu - até que algo começou a ficar estranho. O Sr. Instrutor foi ficando "amiguinho" demais da minha pessoa.
- Ah, mas porque você não veio ontem? Só porque está ficando com tudo em cima não vem mais na academia?
(risinho maroto depois, aquela cara de Joey Tribbiani quando paquera alguém)
E depois...
- Ah, se precisar de alguma coisa é só chamar. Estala os dedos que eu vou pegar água para você, não precisa descer da esteira!
(novamente risinho maroto e a cara de Joey Tribbiani quando paquera alguém)."Oi? Como é? Não estou entendendo?". Começou a passar pela minha cabeça, então, que a coisa tinha estava ultrapassando aquela linha do "bom dia, tudo bem?", que é básico das pessoas educadas. Sabe quando você não bota fé que aquilo tá acontecendo? "Espera aí: tanta menina fazendo academia aqui comigo, com seus shortinhos combinando com a meia, o tênis e a faixa do cabelo e eu - vestida com a camiseta preta do U2 e uma calça pra lá de velhinha estou recebendo semi-cantadas??". Não, não, não. Ignorei, neguei. Achei que não deveria entrar nessa egotrip e fui deixando o papinho pra lá.
O caso é, minha gente, que estou agora numa mega saia-justa. O Ser-humano-instrutor foi passando do limite até me constranger. Na última vez, veio dizer que estava com "ciúmes" porque e tinha passado "muito tempo" conversando com um outro aluno da musculação.
- Demorou no exercício, hein? A conversa tava boa? - ele perguntou com cara séria.
- HELLOOOOO??? HELLOOOOO??? Que falta de noção, meu amigo!
Pior que fiquei com uma cara de tacho tão grande depois da frase que nem deu tempo de responder nada para acabar com aquela conversa. O cidadão falou seu gracejo, foi-se embora para outro canto e fiquei eu com metade da perna pra cima olhando para o nada.
A questão é: não importa se eu sou comprometida com outra pessoa ou não. Existe uma situação aí que fica complicada com esse tipo de comportamento. Eu até já dei uma gelada no assunto e dai sabe o que aconteceu? O ser-humano começou a me tratar mal. Tipo: profissionalismo zero. Duvido muito que se eu estivesse no status "single and fabulous" agora ia achar essa situação engraçada ou interessante. Ou será que estou errada?