
Você já parou o transito de uma avenida para salvar um pintinho? A minha mãe já!
“Hoje cedo, por volta das 8h, estava passando por uma rua aqui do bairro quando vi uma pequena criatura bem na frente do carro. Incrédula, questionei minha visão, mas era mesmo um pintinho correndo feito doido - era um pouco maior do que aqueles amarelinhos recém-nascidos. Freei e ele entrou debaixo de um carro parado.
Larguei o carro de qualquer jeito e saí em seu encalço para salvá-lo de seu destino -que não era dos melhores. Levei um baita baile (rs). Ele corria tanto... Eu tentava cercá-lo de todas as formas, mas o danadinho escapava e corria para o meio da rua. Eu me colocava na frente dos carros e pedia para pararem... O engraçado é que todos ficavam com uma cara tipo “quem é essa doida correndo atrás de um pinto a essa hora da manhã”. Mas eu nem liguei, tinha que continuar minha missão.
Tive a ideia de pegar uma blusa no carro e jogar em cima dele. Mas nem assim ele se deixou agarrar. Quando eu estava quase pegando, ele dava um pulo e saia correndo. Ah, e não faltou o meu argumento “piu, piu, piu, vem... piu, piu, piu, vem pintinho... pintinho bonitinho...” Eu tentava falar o “pintês” com ele, mas não deu muito certo.
Por fim, ele entrou num beco escuro e úmido, cheio de madeiras velhas, colchão jogado, sapato, telhas etc. Primeiro observei bem o lugar para ver se não havia algum “malfeitor” me esperando nas sombras. Parecia filme de suspense.
Fui entrando bem devagarinho, pulando uns cocôs, quando, do teto, dois pingos caíram nas minhas costas. Eu dei um salto, achando que era um rato... Cheguei mais perto e ele acabou encurralado numas telhas. Coitadinho, estava meio machucado. O envolvi nas minhas mãos e ele tremia. Nessa, o carro já estava bem longe. Eu já ia imaginando o que faria com o pobrezinho, visto que tenho 8 gatos em casa, quando ouvi um cacarejar. Com certeza eu estava perto de onde ele fugira.
Resolvi bater numa casinha e uma senhora bem velhinha e simpática veio me atender. Por sorte, ela sabia de onde, provavelmente, o pintinho tinha saído. Me despedi, enfiei o pintinho numa sacolinha e o coloquei no colo para dirigir.
Cheguei na tal casa e bati. Um moço bem grande, o Ivan, veio atender. Tinha cara de boa pessoa. Perguntei se o pintinho era dele, e ele abriu um sorriso. Era o dono do fujão. Ele me contou que havia mais pintinhos recém-nascidos e que iria dar comida às galinhas.Perguntou se eu queria ver e, é claro, aceitei na mesma hora. Descemos para o quintal e vi uma cena muito linda. A galinha com seus pintinhos... Havia uns 10, sendo que dois eram pretinhos. Eu nunca tinha visto pintinhos pretos – a não ser o meu gatinho preto, que se chama Pintinho.
Bem, para final de conversa, ele me agradeceu muito e me garantiu que não iria comê-los, que os só criava porque gostava muito de animais. Foi uma passagem tão bonitinha, que parece vinda de um livrinho infantil.
Bem, retomei meu itinerário, seguindo para o meu destino meio descabelada, mas infinitamente feliz. “
________________________Editado dia 20/01
Tem gente que salva gato, outros pintinhos...
Mas também tem gente que salva galo!